segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Aula 4: Texto 5 - Educação e museus: sedução, riscos e ilusões – Ulpiano T. Bezerra de Meneses

Educação como formação crítica

Ulpiano enfatiza que a memória não pode ser objeto de “resgate”, “pois ela não deve ser confundida com os suportes pelos quais indivíduos, grupos e sociedades constroem e continuamente reconstroem [...] uma auto-imagem de estabilidade e permanência” (MENESES, 2000, p. 93).
Meneses afirma que a memória é mutável e que além de ser um mecanismo de retenção e registro de informações, de conhecimento e de experiências, é também um mecanismo de esquecimento programado. Não nos lembramos de tudo. 
“E se a memória se constrói filtrando e selecionando, ela pode também ser induzida, provocada. [...] a noção de que a memória aparece como enraizada no passado [...] é também falsa: a elaboração da memória se dá no presente e para responder a solicitações do presente” (MENESES, 2000, p. 93).
“Da mesma forma, a identidade não é uma essência, imanente e imutável, imune às transformações [...]” (MENESES, 2000, p. 93).
Meneses enfatiza que identidade e memória são ingredientes essenciais da interação social, “presentes em quase todos os seus domínios – e, por isso, não poderiam em hipótese alguma estar ausentes dos museus que pretendam dar conta dos aspectos fundamentais de uma sociedade vida, no presente ou no passado” (MENESES, 2000, p. 94).
Meneses afirma que a educação precisa ter como eixo a formação crítica e enfatiza que “é com a formação crítica que os museus deveriam comprometer-se ao trabalhar com as questões da identidade e da história” (MENESES, 2000, p. 95).

Conhecimento

Ulpiano enfatiza que a primeira tarefa educativa de um museu é ensinar como ele deve ser usado. “O museu não é uma instituição natural, mas criada, histórica, circunstancial. A exposição museológica não pode ser tomada como um enunciado universal e atemporal, auto-evidente, mas como um sistema linguístico que é preciso aprender: tal como aprendemos a linguagem falada, a linguagem escrita e linguagem visual [...]” (MENESES, 2000, p. 96).
Ulpiano ressalta que quanto maior o distanciamento entre museu e conhecimento, maior o distanciamento entre museu e educação. “E quanto menos o museu estiver envolvido (em diversos níveis de possibilidades) com a produção de conhecimento, mais se tornará um mero repassador de informação, sujeito a perder o controle de seu curso” (MENESES, 2000, p. 97).
Meneses afirma que seria indispensável que o museu se reconhecesse como um lugar mais de perguntas do que de respostas para desempenhar seu papel educacional de forma consciente e eficaz.

Educação pelo objeto

Ulpiano enfatiza que o museu finge ignorar duas verdades: “a primeira é que vivemos totalmente imersos em um mundo de coisas materiais” (MENESES, 2000, p. 98). E finalmente, os museus “ignoram que sua atuação, em qualquer quadrante – científico-documental, cultural e educacional – tem que ter alguma especificidade (MENESES, 2000, p. 98).
Ele afirma que “a especificidade do museu está precisamente naquilo que, ao lhe dar personalidade, distinguindo-o de outros instrumentos similares do campo simbólico, garante condições máximas de eficácia: o enfrentamento do universo das coisas materiais” (MENESES, 2000, p. 98).  
Meneses faz então uma crítica aos museus sem acervo: “Museu sem acervo, assim, é como a mula sem cabeça: existe, garante-se, e chega a soltar fogo pelas ventas, espetacularmente. Embora a mula sem cabeça se preste a múltiplas utilidades, há coisas que só podem ser feitas por mulas – completas, a que não falte parte alguma da cabeça” (MENESES, 2000, p. 98-99).  
Ulpiano enfatiza que nossos museus estão despreparados para dar conta da problemática da cultura material.
Ele ressalta que “o máximo que se tem chegado á falar sobre os objetos, não pelos objetos, o que é ainda mais gritante no caso dos museus históricos” (MENESES, 2000, p. 99).   
Ulpiano enfatiza que “enquanto o museu não tiver domínio do conhecimento e da exploração da cultura material, sua atuação educacional será, no mínimo, incompleta; na maior parte das vezes e dependendo da natureza do museu, será mesmo deletéria” (MENESES, 2000, p. 99-100).  

Educação e técnicas

            “Quando o museu não sabe o que fazer, a tendência é refugiar-se no como fazer, buscando achego na tecnologia” (MENESES, 2000, p. 100).  
            Ulpiano ressalta que “a informatização dos museus é um problema grave e multiforme, que não pode ser tratado à ligeira” (MENESES, 2000, p. 100).  
            Ele sinaliza então questões que deveriam integrar uma agenda de reflexões sistemáticas sobre o futuro dos museus:

A primeira questão é que a informatização, no museu, está-se restringindo à sua virtualização [...]. A segunda é que a virtualização do museu não se apresenta como ampliação e potenciamento dos recursos de que dispõe o museu, mas como um patamar que torna obsoletos e exclui todos os demais. [...] A terceira questão, na esteira desta pretensão substitutiva, está na desmaterialização do universo físico, reduzido ao simulacro (MENESES, 2000, p. 100-101).  


Conclusão

Ulpiano finaliza selecionando os seguintes pontos que os museus deveriam seguir para educar: crítica, parâmetros do conhecimento, especificidade na cultura material e subordinação das técnicas aos três critérios precedentes.  

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Aula 3: Texto 4 – Blog Educacional: ambiente de interação e escrita colaborativa: Maria de Fátima Franco

Características dos weblogs

“Por ser uma ferramenta interativa, os blogs apresentam características técnicas que podem ser consideradas pedagógicas, embora não tenham sido criadas com este objetivo, que permitem alcançar o letramento digital” (FRANCO, 2005, p. 311).
Uma das estratégias de produção escrita nos blogs é o uso de textos mais curtos. Além disso, observa-se na linguagem utilizada pelos blogueiros, a reprodução de situações do uso da língua como em uma conversa informal.

Possibilidades e vantagens do uso de blog na educação

“As características dos blogs, como o espaço personalizado que fornece, e os links dentro de uma comunidade on-line, criam um excelente contexto de comunicação mediada por computador para expressão individual e interações colaborativas no formato de narrativas e diálogos” (FRANCO, 2005, p. 312).


[...] os espaços de escrita eletrônica podem ampliar a motivação e ensinar habilidades do mundo real, como a narração de histórias, que eles denominam como narrablogs, o que oferece aos estudantes a possibilidade de verificar como trabalham os escritores, mas também é uma forma menos exigente para que os alunos se empenhem na criação de textos (FRANCO, 2005, p. 312).


Considerações e propostas

A utilização de um weblog educacional pode ser uma oportunidade de, “[...] além de vivenciar situações reais de leitura e escrita com o uso do computador, com um interlocutor real, pode ser também uma oportunidade para verificação do processo de compreensão textual, de análise das estratégias lingüísticas-cognitivas utilizadas por alunos na construção de um texto, em diferentes séries” (FRANCO, 2005, p. 317).

Aula 3: Texto 3 - Blogs um recurso e uma estratégia pedagógica: Maria João Gomes

“Ao nível mundial o fenómeno dos “blogs educativos” ou “edublogs” constitui já, não só uma prática de intervenção pedagógica mas também um domínio de estudo e investigação” (GOMES, 2005, p.311).
O blog é uma ferramenta de comunicação via web.

Possíveis utilizações pedagógicas dos blogs

As utilizações potenciais dos blogs como recurso e como estratégia pedagógica são muito diversificadas.

Enquanto recurso pedagógico os blogs podem ser:
·         Um espaço de acesso a informação especializada.
·         Um espaço de disponibilização de informação por parte do professor.

Enquanto “estratégia pedagógica” os blogs podem assumir a forma de:
·         Um portfólio digital.
·         Um espaço de intercâmbio e colaboração.
·         Um espaço de debate – role playing.
·         Um espaço de integração. (GOMES, 2005, p.312-313).

Por serem espaços de publicação na web os blogs permitem visibilidade da produção escrita dos seus autores, permitindo assim que eles possam expressar suas idéias, interesses e pensamentos.
Eles também permitem autoria múltipla, dessa forma várias pessoas podem ser responsáveis pela postagem de mensagens (posts). Assim, os blogs podem constituir-se como espaços de comunicação e não apenas como um simples espaço de publicação de informação.
Além disso, em contextos escolares os blogs podem auxiliar no desenvolvimento de competências associadas à pesquisa e seleção de informação, à produção de texto escrito, ao domínio de diversos serviços e ferramentas da web.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Aula 2: Texto 2 - Educação Patrimonial II - Maria de Lourdes Parreiras Horta

Horta inicia o texto dizendo que vai falar sobre os “como?” na prática da Educação Patrimonial.
“A educação centrada no objeto requer a consideração de alguns princípios fundamentais da Psicologia do Aprendizado e da Percepção” (HORTA, s/p).

Desenvolvimento da percepção:

Ver - ouvir: ver claramente, ouvir distintamente, investigar o que se vê e o que se ouve são necessidades inatas a que se poderia chamar de a vontade de perceber.  Esta vontade acaba por dominar as nossas relações com o meio circundante, motivada pela necessidade imperiosa de organização da realidade e da adaptação do comportamento em relação a ela.  É impossível estabilizar e desenvolver essa necessidade de organização sem aprendizagem; [...]. É a interação da percepção (ganhar a consciência de uma situação estimulante) e do que foi aprendido (a retenção de estímulos anteriormente recebidos) que torna possível a organização do comportamento. (HORTA, s/p).


Percepção sensorial:

         
             “Hebb chegou a conclusão de que só de uma forma a capacidade de percepção é inata – trata-se da capacidade para discriminar, de um modo difuso, uma figura de seu plano de fundo” (HORTA, s/p).
         “[...] Hebb chamou a esse produto simples da percepção inata de unidade primitiva. É exclusivamente sensorial: isto é, determinada pelos processos que têm lugar nos órgãos dos sentidos” (HORTA, s/p).

Percepção significativa:

O fator identidade implica a possibilidade de reconhecermos e localizarmos uma conexão significativa na figura percebida. Isso ocorre devido a nossa capacidade de associar material aprendido anteriormente com aquele que é percebido.
“[...] o desenvolvimento da capacidade de percepção é essencial para o processo de aprendizagem e [...] a aprendizagem modifica fundamentalmente a situação inicial de percepção” (HORTA, s/p).

Motivação:

Também é um elemento importante no processo de aprendizagem.
Ela pode ser definida como “os motivos que dirigem as atividades humanas para determinados fins, em todas as esferas do comportamento” (HORTA, s/p).
Não há comportamento sem motivo. “Segue-se necessariamente que a aprendizagem não é possível sem motivação” (HORTA, s/p).
Em qualquer motivação sempre está subentendida alguma necessidade exigindo satisfação. No caso da aprendizagem, “a necessidade básica é a organização da realidade e a adaptação do comportamento à vida em sociedade e ao desenvolvimento do indivíduo de maneira positiva e enriquecedora” (HORTA, s/p).
            Horta lança uma pergunta importante na área da educação patrimonial:
“E como incentivar o interesse da criança pelas coisas passadas?” (HORTA, s/p).
            “A primeira resposta poderia ser a de que a motivação, no caso, deve atender às necessidades da criança e ser adequada ao seu nível de desenvolvimento intelectual e emocional” (HORTA, s/p).
            Nesse caso, é preciso considerar que “o interesse da criança é concreto e imediato, centrado em si mesmo e na necessidade de se relacionar com seu “environment” [...]. A criança interpreta e julga a realidade a partir do seu microcrosmo. Ao mesmo tempo não tem ainda a noção Tempo-Espaço, que só gradualmente vai sendo adquirida” (HORTA, s/p).

Capacidade de retenção:

Outro elemento importante no processo de aprendizagem é a capacidade de retenção, a memória.
A capacidade de retenção modifica o nível da percepção e é determinada pela motivação” (HORTA, s/p).
O que é importante fica retido e o que não é interessante é facilmente esquecido.

A emoção:

            Um elemento muito importante para o processo de aprendizagem é a emoção. “O fator emocional ou afetivo que modifica inapelavelmente o comportamento e está nas bases da motivação” (HORTA, s/p).
“A vida emocional da criança vai ficando gradualmente diferente e enriquecida com a crescente experiência adquirida através da aprendizagem e da percepção. O pensamento e o sentimento afetam-se mutuamente durante esta evolução” (HORTA, s/p).
Vale ressaltar que “o efeito das impressões e dos acontecimentos deixa marcas profundas na sensibilidade da criança, e seu conhecimento do mundo é pautado pelas experiências de ordem emocional e afetiva” (HORTA, s/p). Quanto maior for o apelo à sensibilidade da criança e do grau de seu envolvimento afetivo maior será seu nível de percepção e de motivação.

Desenvolvimento do pensamento:

A seguir segue as cinco fases principais dos níveis de desenvolvimento do pensamento segundo Piaget:
  1. inteligência sensório-motora;
  2. pré-lógico ou simbólico;
  3. pensamento intuitivo (As conclusões intuitivas ainda partem da observação);
  4. pensamento operacional;
  5. pensamento formal, sinal da inteligência teórica plenamente desenvolvida.
Proposta metodológica:

Horta apresenta a seguinte proposta metodológica:
Interpretação da Evidência/Material (estudo do Objeto Cultural)
ETAPAS
MEIOS
OBJETIVOS
1)      Observação
Desenvolvimento da percepção visual e simbólica;

Recursos: Exercícios de percepção visual por meios orais, gráficos, por comparação, por colocação (equacionamento).

Identificação do significador;
2)      Registro (retenção ou fixação do conhecimento percebido).
Desenvolvimento da memória, do pensamento lógico, intuitivo, operacional;

Recursos:  desenhos a mão livre, desenhos para completar, jogo do detetive, fotografia, descrição, gravação, discussão,  relato oral, perguntas e respostas, jogo da memória.  

Interpretação do significador;


Análise e julgamento crítico;
Extrapolação do significado.

3)      Participação
Desenvolvimento da imaginação criativa e do pensamento operacional ou formal ;

Recursos: jogos, quebra-cabeças; dramatização, reconstrução material, reconstrução de situações, simulação, solução de problemas, recriação imaginativa.
Compreensão empatética
(envolvimento afetivo)

“No desenvolvimento dessas etapas sucessivas de interpretação e compreensão da evidência cultural parte-se do princípio que não é possível o aprendizado de vários significados ao mesmo tempo” (HORTA, s/p).

Aula 2: Texto 1- Educação Patrimonial - Maria de Lourdes Parreiras Horta

Horta nos leva a pensar em como as crianças percebem e entendem a História. O interesse delas é imediato e projetado para o futuro. “A criança se alimenta raramente de conhecimentos históricos (os fatos que lhe interessam são os de sua própria história)” (HORTA, s/p).
Diante disso, ela lança a seguinte pergunta:
“Por que e como levar as crianças a voltar os olhos para o passado?” (HORTA, s/p).
Então ela traz a seguinte definição de Educação Patrimonial:
“[...] como o ensino centrado no objeto cultural, na evidência material da cultura. Ou, ainda, como o processo educacional que considera o objeto como fonte primária de ensino”. (HORTA, s/p).
            Ela afirma que através dos objetos e dos monumentos do patrimônio cultural tanto adultos quanto crianças podem ter uma experiência concreta, que lhes permite evocar e explicar o passado de que são herdeiros. 
            “A visão da criança é objetiva, concreta e como tal muito mais próxima do objeto – ou da verdade - do que a nossa, distorcida por diferentes formações...” (HORTA, s/p).

            O que me chamou a atenção é o papel importante desempenhado pela cultura material na evocação e explicação do passado. Isso nos possibilita fazer as relações com o presente e com as perspectivas para o futuro.
            Portanto, os museus por serem locais que trabalham com cultura material precisam desenvolver mais pesquisas sobre seus acervos e também precisam utilizar mais a cultura material como um importante recurso pedagógico.

domingo, 28 de agosto de 2011

Experiência de criar um blog e expectativas...

Acredito que vai ser muito bom utilizar o blog como uma ferramenta pedagógica. Aliás, esse é meu primeiro blog. Achei muito interessante o incentivo para criá-lo ter partido do âmbito acadêmico.
A experiência está sendo bem interessante. Tudo é muito novo. Surgem as preocupações: que nome coloco no blog; o que vou escrever; será que vai dar certo;...

O jeito é ir testando e aprendendo....