Horta inicia o texto dizendo que vai falar sobre os “como?” na prática da Educação Patrimonial.
“A educação centrada no objeto requer a consideração de alguns princípios fundamentais da Psicologia do Aprendizado e da Percepção” (HORTA, s/p).
Desenvolvimento da percepção:
Ver - ouvir: ver claramente, ouvir distintamente, investigar o que se vê e o que se ouve são necessidades inatas a que se poderia chamar de a vontade de perceber. Esta vontade acaba por dominar as nossas relações com o meio circundante, motivada pela necessidade imperiosa de organização da realidade e da adaptação do comportamento em relação a ela. É impossível estabilizar e desenvolver essa necessidade de organização sem aprendizagem; [...]. É a interação da percepção (ganhar a consciência de uma situação estimulante) e do que foi aprendido (a retenção de estímulos anteriormente recebidos) que torna possível a organização do comportamento. (HORTA, s/p).
Percepção sensorial:
“Hebb chegou a conclusão de que só de uma forma a capacidade de percepção é inata – trata-se da capacidade para discriminar, de um modo difuso, uma figura de seu plano de fundo” (HORTA, s/p).
“[...] Hebb chamou a esse produto simples da percepção inata de unidade primitiva. É exclusivamente sensorial: isto é, determinada pelos processos que têm lugar nos órgãos dos sentidos” (HORTA, s/p).
Percepção significativa:
O fator identidade implica a possibilidade de reconhecermos e localizarmos uma conexão significativa na figura percebida. Isso ocorre devido a nossa capacidade de associar material aprendido anteriormente com aquele que é percebido.
“[...] o desenvolvimento da capacidade de percepção é essencial para o processo de aprendizagem e [...] a aprendizagem modifica fundamentalmente a situação inicial de percepção” (HORTA, s/p).
Motivação:
Também é um elemento importante no processo de aprendizagem.
Ela pode ser definida como “os motivos que dirigem as atividades humanas para determinados fins, em todas as esferas do comportamento” (HORTA, s/p).
Não há comportamento sem motivo. “Segue-se necessariamente que a aprendizagem não é possível sem motivação” (HORTA, s/p).
Em qualquer motivação sempre está subentendida alguma necessidade exigindo satisfação. No caso da aprendizagem, “a necessidade básica é a organização da realidade e a adaptação do comportamento à vida em sociedade e ao desenvolvimento do indivíduo de maneira positiva e enriquecedora” (HORTA, s/p).
Horta lança uma pergunta importante na área da educação patrimonial:
“E como incentivar o interesse da criança pelas coisas passadas?” (HORTA, s/p).
“A primeira resposta poderia ser a de que a motivação, no caso, deve atender às necessidades da criança e ser adequada ao seu nível de desenvolvimento intelectual e emocional” (HORTA, s/p).
Nesse caso, é preciso considerar que “o interesse da criança é concreto e imediato, centrado em si mesmo e na necessidade de se relacionar com seu “environment” [...]. A criança interpreta e julga a realidade a partir do seu microcrosmo. Ao mesmo tempo não tem ainda a noção Tempo-Espaço, que só gradualmente vai sendo adquirida” (HORTA, s/p).
Capacidade de retenção:
Outro elemento importante no processo de aprendizagem é a capacidade de retenção, a memória.
“A capacidade de retenção modifica o nível da percepção e é determinada pela motivação” (HORTA, s/p).
O que é importante fica retido e o que não é interessante é facilmente esquecido.
A emoção:
Um elemento muito importante para o processo de aprendizagem é a emoção. “O fator emocional ou afetivo que modifica inapelavelmente o comportamento e está nas bases da motivação” (HORTA, s/p).
“A vida emocional da criança vai ficando gradualmente diferente e enriquecida com a crescente experiência adquirida através da aprendizagem e da percepção. O pensamento e o sentimento afetam-se mutuamente durante esta evolução” (HORTA, s/p).
Vale ressaltar que “o efeito das impressões e dos acontecimentos deixa marcas profundas na sensibilidade da criança, e seu conhecimento do mundo é pautado pelas experiências de ordem emocional e afetiva” (HORTA, s/p). Quanto maior for o apelo à sensibilidade da criança e do grau de seu envolvimento afetivo maior será seu nível de percepção e de motivação.
Desenvolvimento do pensamento:
A seguir segue as cinco fases principais dos níveis de desenvolvimento do pensamento segundo Piaget:
- inteligência sensório-motora;
- pré-lógico ou simbólico;
- pensamento intuitivo (As conclusões intuitivas ainda partem da observação);
- pensamento operacional;
- pensamento formal, sinal da inteligência teórica plenamente desenvolvida.
Proposta metodológica:
Horta apresenta a seguinte proposta metodológica:
Interpretação da Evidência/Material (estudo do Objeto Cultural) | ||
ETAPAS | MEIOS | OBJETIVOS |
1) Observação | Desenvolvimento da percepção visual e simbólica; Recursos: Exercícios de percepção visual por meios orais, gráficos, por comparação, por colocação (equacionamento). | Identificação do significador; |
2) Registro (retenção ou fixação do conhecimento percebido). | Desenvolvimento da memória, do pensamento lógico, intuitivo, operacional; Recursos: desenhos a mão livre, desenhos para completar, jogo do detetive, fotografia, descrição, gravação, discussão, relato oral, perguntas e respostas, jogo da memória. | Interpretação do significador; Análise e julgamento crítico; Extrapolação do significado. |
3) Participação | Desenvolvimento da imaginação criativa e do pensamento operacional ou formal ; Recursos: jogos, quebra-cabeças; dramatização, reconstrução material, reconstrução de situações, simulação, solução de problemas, recriação imaginativa. | Compreensão empatética (envolvimento afetivo) |
“No desenvolvimento dessas etapas sucessivas de interpretação e compreensão da evidência cultural parte-se do princípio que não é possível o aprendizado de vários significados ao mesmo tempo” (HORTA, s/p).
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